sexta-feira, 2 de outubro de 2009

POTT e o Comunicado....

Esta cena das espionagens anda a afligir os portugueses.
Modestamente passo a explicar a forma de como vejo a questão.

Penso, quem sabe de forma inocente, que a questão entre o Presidente da República e o Primeiro Ministro poderá não ser um conflito institucional. Que me parecer que é mais um conflito intestinal.
Explico-me...
O PR é lento de intestinos, pois demorou 17 meses a expurgar algumas palavras sobre o assunto.O PM sabe aproveitar o trânsito intestinal do nosso PR.
O PR perante o purgante do PS, lá conseguiu acelerar o seu trânsito intestinal congestionado.
O Governo foi lento, demorou duas horas e meia a responder ao PR, para dizerem aquela merda. Em cinco minutos poderiam ter escrito algo mais elucidativo.
Os gajos do Governo são uns cagões. Isto porque, quando o ministro da presidencia, Pedro Silva Pereira disse: "Temos de cortar o mal pela raiz", fez-me sonhar. E nesse sonho, a frase que se seguia era: "Apresentamos a nossa demissão". Afinal não vão cortar nada por raiz nenhuma, mas ao menos por cinco segundos pensei que eles eram pessoas de bem. Já não foi mau.
O PR está a defecar de fininho para o PM e os seus marabús.
PM e sus muchachos vão defecar de alto  para o PR daqui em diante, com a certeza de que sempre que o PR acorde mal-disposto os vai enterrar em bosta até às orelhas.
O PR, tem a certeza que sempre que possa o PM fará o PR pisar umas belas bostas.
Com isto tudo, só se expandiu ainda mais a borrada que foi a campanha do PSD.


E no meio de tanta diarreia lá se fica sem perceber, que dejecto pertence a quem. Mas quem é que no seu perfeito juízo faz espionagem num país que cultiva bufos nos vasos das varandas? É como aquela história das ameaças terroristas a Portugal. Até porque o Sócras, Sócas, Scotas o lá como o senhor se chama tendo o feitio que tem é menino para pôr escutas nele mesmo para se ouvir o dia inteiro, e no fim do dia dizer: "Que tipo bem-falante, pá!". Pra que raio ia ele pôr escutas no PR, se não o grama?


Vai-se a ver e quem pôs as escutas foi a Maria, para ver se apanhava o PR a mijar fora do penico...


O PR que fique alerta, se antes enviou o PM enviou um dos seus lambe-botas, para a próxima envia um atirador furtivo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

o macaco de POTT.........e a campanha eleitoral.....


Eu sou o Rei Macaco
O Macaco de POTT
Portanto,sou obra dum autor, sou uma personagem, por isso, inimputável, ninguém me pode fazer réu, ninguém me pode demandar a coroa. Sou rei.
É difícil separar a realidade do autor da realidade do rei, quanto mais não seja porque um rei é sempre real. As pessoas que constroem personagens têm sempre uma personagem que é mais a sua mas não será por isso que possamos concluir que o Eça defendia o incesto, que o Saramago vota em branco que o Garcia Marquez era casado com uma índia ou que Da Vinci era maricas.
Neste momento a minha situação não é brilhante.
O resultado das eleições legislativas deixou-me num beco de dificil saida.
Não posso votar, porque sou ficcionado, nem sequer posso revelar as opções políticas do meu autor porque esse é um assunto no qual não nos entendemos: ele é republicano e eu monarca, ele é da espécie humana e eu um simio, ele é pela revolução e eu pela boa vida!...
Ele queria que o blogue descambasse para a política e eu não deixei; ele queria influenciar a corte e a plebe para que votassem num determinado sentido e eu não permiti; ele queria que eu votasse mas eu não voto, néscio como ele é, demorou tempo a perceber que o nome Macaco não constava nos cadernos eleitorais. Estou farto dele! Há por aí alguém que me queira adoptar?!
Eu estou disposto a ser personagem de qualquer um, o tipo irrita-me e está sempre a ameaçar que acaba comigo com um poste final na cabeça!

- Ou tu te calas, ou para a semana voltas para a selva!
-Amanhã e nos dias que se seguem,eu e o meu país inteiro vamos reflectir!
-Se o resultado eleitoral de Domingo,dia 11 não me agradar, o Rei dos Macacos vai para o Jardim Zoológico da Maia!
- E o que virá depois?!
- Um outro rei, mais macaco do que este, mais esperto, mais sabido!
-Estou farto de aturar este cabrão ,vou mata-lo!

Quando o autor interfere directamente na ficção, a descoberto da sua personagem identitária, o caldo está entornado.

Votem! Votem! Votem aos milhares na revolução! Votem como ele quer antes que haja um regícidio!
O tipo está cansado da campanha, só lhe sai disto! Peço-vos perdão em meu nome e no seu!

Por favor votem bem...

O MACACO de POTT

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

POTT e o problema dos canivetes suiços...


Acreditem que não estou a brincar...é o que eu penso e sinto....
Proibiram os canivetes nas prisões!
Presumo que seja chato estar preso, mas agora não ter um Canivete Suíço "swiss army knife" Victorinox, para cuidar da higiene das unhas e descascar uma maçã ainda é mais chato. Depois um tipo pode-se chatear com outro, ou mesmo com um guarda prisional porque não lhe deram a dose de metadona a tempo e horas, porque não gosta da marca da seringa que lhe deram para injectar a sua droga diária, ou porque lhe serviram o pequeno almoço sem crepes e doce de manga com ananás ou o almoço (ou jantar) não era de marisco com lagosta, ou o caviar não era beluga, pode ficar chateado devido a ter estado todo o dia sem fazer nada e qualquer motivo é bom para esfaquear um colega ou um guarda e fazer uma festa brava com sangue. Para cúmulo, como está preso, e se tem o “azar” de matar alguém não pode ficar em liberdade com Termo de Identidade e Residência. Agora que se verificaram ataques com os tais canivetes que se vendiam a 5 euros cada, entre reclusos, ameaçam os presos que os compraram e não os devolverem com punições. Vai ser ver todos a chorar, porque ninguém vai querer desfazer-se de um brinquedo deste tipo que tanta utilidade pode ter dentro de uma prisão. Mas eu sugiro uma actividade que pode ajudar a mitigar o stress provocado por esta perda e mesmo evitar o surgimento de traumas por tão vil separação de um objecto pelo qual deviam nutrir muita estima e amor. Sugiro que se criem hortas onde todo o recluso pode cultivar as suas ervinhas de fumar, pois algumas tem propriedades medicinais as (chamadas drogas leves) que acalmam os nervos e fazem menos mal que dar seringadas nas veias que só criam arteriosclerose a longo prazo.

Para o tempo livre que os reclusos tem, e visto que já não tem outros meios para limpar as unhas, que era uma das melhores actividades de preenchimento dos seus tempos livres, sugiro ainda que se crie um programa parecido com o das Novas Oportunidades em que todos os reclusos teriam um computador e cursos de reconhecimento dos seus conhecimentos, o chamado RVC (Reconhecimento e Validação de Conhecimentos), onde podiam ver as suas capacidades e conhecimentos práticos de gatunagem, maldade e violência, burla entre outras actividades, reconhecidas com a equivalência ao 9º ano e até o 12º ano. Para aqueles que já fossem reincidentes e depois que se destacassem com os melhores “resultados”, sugeria a criação de um curso superior, estilo os da universidade independente, onde iriam aprender como fazer crimes de colarinho branco e onde adquirissem os conhecimentos necessários para que eles pudessem ensinar, por exemplo as suas mães a comprar a pronto andares ou vivendas de alto valor, com um rendimento mensal inferior ao nosso salário mínimo. Deve-se fomentar por isso a reinserção do recluso no seu núcleo familiar afim de ser reconhecido e querido no seio das suas famílias (por exemplo pelo tio, primos, irmão, mãe e pai).

E mais, se notassem nessa pessoa recuperada do crime, capacidades de liderança, saber e sabedoria acima da média, devia-se pôr esse cidadão a governar Portugal, e não sejam preconceituosos por virem a ter um ex-criminoso no governo, porque em Portugal como poucos governantes são investigados por crimes de corrupção e tráfico de influências (e outros crimes) e menos ainda são os condenados, posso assegurar-vos que praticamente não existe essa criminalidade no nosso país. Podem até ficar mais seguros ainda, que esse ex-recluso, iria ficar rodeado de “boas companhias” no parlamento (quer estivesse no PS, PSD, CDS,BLOCO de ESQUERDA ou mesmo PCP) e por isso mesmo iria ser muito menor o risco desse ex-presidiário cair em tentação e voltar à vida do crime.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

POTT e as desconfianças de Cavaco.....


Antes de mais e em 1ª Mão, toda a verdade sobre as escutas ao presidente.
Quem descobriu a marosca foi o próprio Cavaco Silva após longa investigação.
Aqui se relata a ultima fase da investigação quando Cavaco é descoberto pelo conselho de ministros enquanto investigava sobre a conspiração.
Perante os factos Sócrates confessa que realmente procedia a escutas embora não houvesse nisso qualquer má intenção.
Tudo se manteve em segredo, até hoje, a pedido do próprio presidente.
Passemos então aos acontecimentos.

O Presidente da República, Cavaco Silva, foi surpreendido em plena reunião do Conselho de Ministros disfarçado de empregada de limpeza, cumprindo assim a promessa feita aquando do anúncio da decisão de esclarecer os portugueses sobre a história dos espiôes que frequentavam a sua residência .

O disfarce era perfeito ao ponto de nenhum dos presentes reconhecer a mais alta figura da hierarquia governativa nacional debaixo da bata florida, do lenço na cabeça e dos óculos de lentes grossas, fruto da paixão de longa data do presidente pelo teatro amador e que lhe deu um talento especial para se transfigurar completamente. A sua identidade só viria a ser descoberta quando Ana Jorge, Ministra da Saúde, se envolveu numa violenta disputa física com Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação, motivada pelo facto de ambas quererem sentar-se ao lado do ministro das Obras Públicas, Mário Lino.
Visto que ninguém parecia interessado em sanar o diferendo e numa altura em que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, já propunha apostas em dinheiro que reverteriam a favor dos cofres públicos, todos ficaram surpreendidos ao ouvir a mulher da limpeza parar por instantes de mudar a arrastadeira do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Mariano Gago,para “apelar à calma e à serenidade essenciais à boa governação num Estado de direito.” O ministro Augusto Santos Silva lançou-se sobre a funcionária, primeiro só por gozo mas depois para seguir a recomendação do primeiro-ministro e tentar arrancar-lhe o lenço e os óculos, revelando assim tratar-se de Cavaco Silva.

Ter-se-á seguido um momento embaraçoso em que Augusto Santos Silva pedia desculpas ao Chefe de Estado por lhe ter roubado um beijo na boca, enquanto que José Socrates entrava em estado catatónico, salivando e murmurando referências incompreensíveis a Mário Soares e Manuel Alegre, ao mesmo tempo que Ana Jorge e Maria de Lurdes Rodrigues faziam as pazes e se retiravam para uma arrecadação com o colega José Vieira da Silva. Cavaco acabaria por se retirar de forma apressada, deixando o aviso de que iria continuar atento.

Posteriormente, viria a saber-se que não foi o primeiro incidente do género desde a tomada de posse do governo de Socrates. Precisamente no dia da tomada de posse, o novo primeiro-ministro foi surpreendido no regresso a casa por uma visita inesperada da ex-mulher, propondo-lhe que reatassem o casamento. Socrates estranhou e resolveu fazer um teste, pedindo à sua antiga companheira para provar o seu afecto com práticas(que não vou referir) inconfessáveis, pedido a que esta acedeu prontamente. Depois do concluído o acto, o chefe do governo percebeu que não se tratava da sua verdadeira Ex, visto que esta sempre se mostrara contra tais práticas por considerar que davam cabo da maquilhagem e expulsando a impostora de casa, referindo-se a ela como “senhor presidente.”

José Vieira da Silva, ministro de Estado do governo, comentou a este respeito que “não se pode submeter um governo a este tipo de pressão” e garantiu ao Presidente e aos portugueses que o próximo executivo “não cometerá nenhum erro irreparável.”

domingo, 27 de setembro de 2009

...o Sonho de POTT...


A noite passada tive um sonho....
A coligação PSD/CDS-PP tinha ganho as eleições....
Finalmente estes partidos iam dar vida ao sonho não realizado no mandato abruptamente interrompido...

O Sonho rezava assim....

O governo português está a planear o envio de elementos destacados do jet-set nacional para o Iraque como mais um contributo para estabilizar a situação tensa que se faz sentir naquele país desde a invasão de tropas da coligação internacional e subsequente deposição de Saddam Hussein.

A ideia partiu do ministro da Defesa, Paulo Portas(devo dizer que nada tenho contra ele,pelo contrário), após sugestão de uma amiga íntima e possível amante (de acordo com um rumor posto a circular pelos serviços de relações públicas do ministério da Defesa como forma de atirar areia para os olhos do público em geral) Cinha Jardim, ela própria uma das personalidades de maior relevo na “alta sociedade” portuguesa e presença assídua em todas as festas onde haja música, comida de borla e um fotógrafo da revista Caras.

A este respeito, Paulo Portas considera que “já disse que não gosto de rapazinhos! Irra! Quantas vezes é preciso deixar que me fotografem a benzer-me para levarem isto a sério?” Depois de repetida a questão, o ministro afirmou que “com esta medida, o governo quer dar o exemplo à comunidade internacional e mostrar de forma absolutamente inequívoca que um país sem grandes meios como Portugal está empenhado a fundo na luta contra o terrorismo e não abdica de dar o contributo possível, mesmo que não seja solicitado.”

O envio de “colunáveis” portugueses será feito por fases e de acordo com as indicações do comando das operações no terreno. Numa primeira fase, personalidades como José Castelo Branco, Bibá Pitta, Lili Caneças ou o estilista João Rolo e o seu amigo especial, o cabeleireiro Eduardo Beauté, serão distribuídos pelas cidades iraquianas em que o clima de insegurança é mais alarmante. A sua missão será dinamizar a vida social iraquiana com festas, jantares de gala, torneios de golfe e ofertas de roupa de marca usada e, se possível, criar um jet-set iraquiano para que sejam os próprios iraquianos a assegurar a satisfação das suas necessidades sociais a curto/médio prazo.

Para além das suas funções oficiais, os elementos desta força expedicionária poderão levar a cabo, por sua própria iniciativa, outro tipo de operações com o objectivo de tornar o Iraque um sítio melhor para viver, ou seja, um sítio mais parecido com a Quinta da Marinha ou com Vilamoura nos meses de Julho e Agosto. Lili Caneças anunciou já que levará uma colecção de “tigresses” de Jean-Paul Gaultier para a cidade de Bassorá para, segundo a própria, “ver se os iraquianos se começam a vestir um bocadinho melhor que aqueles turbantes já passaram de moda na primavera de 1979 quando eu era uma rapariga de quinze anos.”

Quanto a José Castelo Branco, já se voluntariou para aplicar os seus conhecimentos de massagem "shiatsu"(penso que é assim que se diz,) adquiridos durante umas férias em Punta Cana no verão de 2001 junto dos militares da GNR anteriormente enviados para o Iraque como primeiro contributo português para a normalização da situação no país. “É o mínimo que posso fazer pela pátria,” afirma, acrescentando que “o máximo discutimos depois mas pode passar por um regresso do meu alter-ego travesti, a Tatiana Romanov, ao activo para uns shows privados.”

Para além desta iniciativa pioneira a nível mundial, fique a saber que o governo pretende promover intercâmbios entre a força da GNR e o corpo expedicionário do jet-set de forma a assegurar uma “saudável e desejada troca de experiência no terreno por boatos fúteis acerca das lipoaspirações de Tita Balsemão ou da impotência do filho mais novo de António Champalimaud.” Ao abrigo deste intercâmbio, Pimpinha Jardim, filha de Cinha e possível, ainda que pouco provável, enteada de Portas, assumirá o comando de um destacamento da GNR enquanto que o sargento Meireles será entregue aos cuidados de Bibá Pitta que se comprometerá em ensinar-lhe a comer com os talheres certos e a não arrotar em público ou coçar os testículos durante operações stop, coisas que, segundo Bibá, “os pobres fazem mas só porque não tiveram uma educação como deve ser e nasceram num palheiro ou assim.”

Quanto ao envio da própria Cinha Jardim para o Iraque, o ministro da Defesa rejeita essa possibilidade, pelo menos durante os próximos tempos. “Quero passar o máximo de tempo possível com ela para nos conhecermos melhor porque a Cinha é uma mulher muito especial e tem aquele cabelo louro magnífico que até faz lembrar uma peruca que eu costumava usar de vez em quando.”

...depois acordei...se calhar vamos ter que gramar o Socrates...
..maricas por maricas,preferia o Portas,sempre é mais divertido....

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

POTT e a super classe média pirosa...


A todos que se quiserem tornar na super Classe Média portuguesa e pirosa, um óptimo ambiente de observação é o trânsito das nossas cidades. Ali podemos estudar, por imersão total e com riqueza de detalhes, os valores deste peculiar grupo social.

O piroso médio-classista encara o trânsito como se fosse uma grande batalha em defesa do seu direito individual prioritário de ir e vir, o que significa que cada indivíduo da Classe, no trânsito, tem prioridade um sobre o outro e vice-versa (numa estranha equação ainda não resolvida pela matemática). E todos têm prioridade sobre os peões (este ponto já é bem mais fácil de entender).

Para encarar o trânsito, cada cidadão da Classe deve estar equipado com o seu carro. Se uma moradia médio-classista possui, por exemplo, 4 habitantes em idade para serem condutores, o ideal é que ali haja 4 carros. O carro é uma importante propriedade desses cidadãos, e o seu interior é o seu mundo particular, uma extensão da sua casa sobre rodas. Por isso, o carro para este público precisa ser equipado com "jantes especiais", equipamento de som potente, ar-condicionado e lugar para no mínimo cinco passageiros (para levar objetos e peças de vestuário, uma vez que raramente o carro do médio-classista transita com mais de uma pessoa além do condutor). Tudo isso garante que o realmente importante (o mundo particular do condutor) esteja muito agradável, a fim de evitar o contacto com o mundo exterior, totalmente desprezível. Para este, há um mecanismo de comunicação denominado buzina.

Os aprendizes de médio-classistas, precisam de aprender que, para ser da Classe, é necessário revoltar-se com as actuais condições do trânsito. Assim, no seu papel de cidadão politizado e pagador de impostos, deve exigir das autoridades que abram espaço na cidade para mais carros. Que desapropriem,deitem a cidade abaixo, mas garantam a duplicação das vias até resolver o problema (o que provavelmente será quando a cidade for um grande plano de asfalto). Fiquem revoltados também pelo facto do Governo se preocupar mais em, violentamente, coibir o vosso direito sagrado de ingerir álcool quando conduzem, do que abrir mais acessos para os vossos carros poderem transitar mais rápidamente.

Também é preciso aprender a ter modos neste ambiente. Se você se quiser parecer realmente com alguém da Classe, ande sempre na frente dos outros. Se alguém fizer sinal de que quer mudar de faixa e ficar à sua frente, mesmo que você esteja ainda longe, acelere loucamente para passar à frente antes que ele realize a manobra. Logo, sabendo que todos agirão assim, dispense o uso dos piscas (pode até pedir ao mecânico para desactivar os seus). Você não tem que dar satisfações sobre para que lado vai virar ou se quer ou não mudar de faixa.

Portanto, aspirante, o primeiríssimo passo para entrar na Classe é abandonar o transporte colectivo, o metro e até mesmo a bicicleta (esta somente pode ser usada para lazer, e mesmo assim, deve ser transportada de carro até o local do uso). No transporte colectivo você está num espaço público, sujeito a ficar perto de pobres e nada ali é "só seu". É muito melhor que transite dentro da sua máquina de vidro e metal, "privatizando" (aprenda a usar esta palavra) cerca de 10m² do espaço público, com uma viatura com mais de 1000kg que queimará gasolina para transportar uma pessoa de 70kg, a fim de garantir o seu merecido bem-estar até ao seu destino. Vocês tem direito, vocês são da Super Classe Média Pirosa.

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Vejam este exemplo o espaço ocupado por 54 pessoas, sendo 1) cada uma no seu carro; 2) todas num autocarro; 3) cada uma numa bicicleta.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

POTT em busca do passado perdido...

Em busca do passado perdido...

Por razões que não são para aqui chamadas, vi-me obrigado a refletir sobre o passado. Não se trata do passado institucionalizado e congelado pelos historiadores num texto. Mas do passado-memória, aquele passado que pertence aos indivíduos, que é vivo na mesma proporção em que ele é sentido.

O problema é que esse passado vivo é passível de ser perdido e muitas vezes não nos damos conta disso. Acreditamos apenas no acúmulado do passado, das experiências, dos sentimentos. Concebemos que todo passado é possível de ser preservado. Basta contratar um historiador. Mas...o passado deixa de ser vivo, torna-se uma narrativa muitas vezes empolgante. Mas é uma forma material, dura. Às vezes é perfeita em descrição. Mas falta-lhe a essência que lhe deu vida.

Mas, sem aceitarmos a narrativa do historiador e sem aceitarmos que o passado vivo seja congelado, temos que nos adaptar a idéia do passado perdido. Mas então, como perdemos o que faz parte de nós?

Há pelo menos duas formas...Uma delas é o passado perdido voluntariamente. A idéia de que a nossa vida,que é um amontoado de eventos incoerentes, ignora as nossas próprias tentativas de lhe dar coerência. E ignora principalmente as nossas tentativas de esconder partes de nosso passado que nos constrangem no presente. No final,as nossas tentativas de dar coerência são também históricas, mas nem por isso são inválidas. O que elas fazem é exatamente avaliar o passado com olhos do presente. E quando esse passado não nos interessa, suprimimo-lo, fazemos questão de "perder esse passado", de enterrar parte de nós. Os historiadores, que possuem um compromisso com a verdade, não se contentam com a supressão do passado vivo. Mas, no fundo sabem que essa é a prática padrão das trajetórias de vida...

Há ainda uma outra forma de perder o passado vivo, que é o passado perdido involuntariamente. Quando o passado vivo se cristaliza em pessoas, fotos, cartas...enfim, quando há uma concretitude no vivido. Nesse momento, o passado vivido concreto está susceptível à deterioração do tempo. As pessoas morrem, as fotos apagam-se, as cartas são devoradas pelas traças. A memória guarda tudo isso...mas a memória também falha, ela apaga-se. A memória perde-se e aquilo que lhe desperta, sem ter uma existência concreta, não consegue ser efectiva. Quantos sabores, cheiros e cores se tornaram apenas sombras na minha memória por nunca mais poder reproduzí-los na minha vida?

Perdemos partes de nosso passado cotidianamente porque lembrar de tudo é tão impossível quanto esquecer de tudo. Mas é quando temos consciência de que perdemos o passado - intencionalmente, ou não - é que as angústias se acumulam. Quando se percebe que a memória não pode ser mais resgatada, quando não há posteridade para salvar o passado. E no entanto, é nesse angustiante momento que se percebe a necessidade de buscar o passado, vivo, eternizado nas experiências. É somente quando ele é perdido é que pode se pensar em resgatá-lo.